Eu cresci em uma família estranha, em que conceitos básicos que nos torna uma família comum sempre estiveram fora de cogitação... Não comemoramos Natal, Pascoa, Dias dos Pais, Das Mães, das Crianças, e a maioria das vezes o aniversário é só mais um dia na vida.
Cresci me alimentando sempre com uma rotina, não aprendi a comer porcarias, bolos, chocolate, refrigerante, hanburguer, pizza e entre muitas outras coisas, nunca fizeram muita parte na minha vida. Meus pais nunca me esconderam nada, desde pequeno eu ouvia do meu pai que a vida é difícil e que por isso deveria crescer e me cuidar sozinho, não fui mimado, não tive tudo que eu sempre quis, convivi sempre com uma "Cinta" me observando do armário do meu pai. Ainda com meus 7 anos, meu pai começou a me ensinar sobre a vida, e sobre o que o mundo a fora podia me oferecer, meu pai nunca mentiu, nunca me tratou como uma criança, ele sempre falava as coisas exatamente como elas são.
Não sei se fico triste por ter tido essa formação, ou se esse era mesmo o caminho certo. O que sei, é que nunca pensei como as outras pessoas, minha mente nunca trabalhou como as outras pessoas, sempre tive dificuldade em me socializar. Todas as pessoas, mesmo aos meus 7 anos de idade, poderiam ser inimigos. Não aprendi a ter amigos, e para mim pessoas eram apenas "Pessoas", sem nenhuma funcionalidade a não ser encher o mundo. Enquanto todos "Viviam" estavam sempre antenados sobre o mundo a sua volta, sobre suas vidas sociais... isso nunca teve a menor importância para mim, sinceramente viver era carregar um fardo tão pesado que me fazia sentir "menor" do que todos. "Porque ninguém vê que tudo está horrível? Porque as pessoas conseguem se relacionar tão bem?", esse tipo de pergunta rodou minha cabeça dos meus 7 aos meus 11 anos de idade, me sentia trancafiado em uma masmorra, sempre dentro de casa, o lugar mais bonito que eu visitava era meu Hall.
Eu convivia com as pessoas, mas a insignificância delas impedia até mesmo que meu cérebro se recordasse de seus rostos. Sempre usando de uma formalidade digna de um Príncipe uma educação esplendida. Nunca sendo verdadeiro com ninguém mesmo com meus pais, eles eram só os meu progenitores, eu sabia que devia ama-los, "Mas porque? Como esperam que eu os ame, se nem convivi com eles?", sofri bullying por ser assim, minha frieza queimava minha retina, esmagava meu espirito, e me colocava de pé todos os dias, para repetir as mesmas coisas. De uma forma estranha eu adorava estar só, brincando só, adorava inventar minhas próprias coisas, assim como entrava em histórias, e assim como desde meus 4 anos desenhava, inventando fantasias que só eu entendia.
Sempre, sempre, estive tentando ser como os outros, sempre tentando ser de uma forma que as outras pessoas me entendessem e me fizessem me tornar como elas, sentia como se esse era meu dever. Dos meus 12 anos em diante comecei a acreditar pela busca a "Perfeição", treinava meu cérebro meu espirito e principalmente meu corpo. Maioria das vezes me senti burro, ingenuo, mas eu podia olhar para as pessoas e ver como elas eram medíocres presas a essa rotina burra, olhando tudo de uma forma tão brutal, não se prendiam a nenhum detalhe.
O meu erro, foi ter tentado. As vezes, como agora, me pego imaginando... como teria sido minha vida se eu nunca tivesse mudado? Será que eu teria passado todo esse tempo sem "Memórias", será que eu teria aprendido a amar o que fosse? Ou simplesmente iria crescer, com a mente sempre longe, tão longe, que talvez eu descobrisse coisas que outras pessoas nunca imaginariam...
Me pego pensando isso, por horas, dias e anos... Acho que essa seria a parte em que eu deveria dizer como tudo melhorou não é? Mas eu mal sei se existia um erro. O que sei é que eu continuo aqui, tentando e tentando, numa busca por uma perfeição quase que inexistente, quase como se tivesse procurando "Um remédio para o Tédio".
...Sinto que preciso me encontrar... de novo.
Parabéns pelo Post.
ResponderExcluirTive uma infancia parecida mas o que me tornei me função disso, é o que eu sou, independente de ser o diferente.
A vida segue, sou feliz por não compartilhar a mediocridade do comum, da maioria.