Da janela desta sala canta o pássaro cego
de domingo a domingo
recomeça do zero
Um sopro forte com uma voz arranhada
o pássaro canta sem se importar com nada.
Hoje o vi chorar
um gruído alto que me fez arrepiar
levantou-se do seu trono
da grade enjaulada, sacudiu-se
de uma ponta a outra
berrou e vomitou, não levantou por mais nada.
Porque choras pássaro na jaula?
Se esqueceu de seus costumes?
Ou desta voz não sai mais nada?
Se te consolas, voe desta sacada
mas não olhe para trás
e retorne para casa.
Continuarei aqui, na espera do teu canto
da ultima das casas.
Amanhã voltarei
Irei lhe repor em seu trono
Mas se quiseres
morra
E seja livre em qualquer estrada.
E vivas eternamente
nessa estrada inacabada
Hoje quer sonhar?
Então faça porque podes.
Não há nada que o impeça
nessa casa destroçada.
Cuidarei dos teus filhos
os manterei aquecido como um pai
e quando pararem de cantar
lhes deixarei escolher
entre sonhar ou tornar um sonho realidade.
Me perdoe qualquer coisa
Mas é assim que sou
Consumindo tudo que puder
de um pássaro na jaula.

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