High School Gaijin-Sama - Capitulo 4 - "Eiyuu"
Pela manhã, eu pude me sentir mais calmo, embora ainda estivesse meio abalado com todos os acontecimentos do dia anterior.
Acordar com Yumi-chan ao meu lado já havia se tornado um costume, então antes que Yuko percebesse eu tratei logo de me levantar, e sair do quarto.
Hideko estava parada em frente a porta, carregava uma carta, ou algo do tipo.
-Hideko-ni? O que houve?
Ela nem mesmo me encarou, manteve a cabeça abaixada com o cabelo tampando seu rosto. Insisti por alguns instantes, quando ela simplesmente esticou a mão para que eu pegasse a carta que estava com ela.
-Leia... - Foi a ultima palavra dela, antes de sair correndo desesperada para a cozinha. Me contive em não ler a carta naquele momento, embora minha curiosidade me corroesse por dentro, mas achei que não era a hora oportuna.
Já na escola, tudo parecia normal, os mesmos alunos com aquelas caras de sono indo em direção as suas salas, as mesmas garotas belas, e claramente, a mesma Miki chegando de carro. Ela me olhou de relance, mas logo foi interrompida por uma mulher muito bela, ao meu ver só poderia ser sua mãe, a bela senhora me encarou, e demonstrou um sorriso doce. Fiquei um pouco constrangido, mas tratei em retribuir a sutileza. Miki tratou de continuar a caminhar em direção a sala, e como eu havia passado a noite inteira pensando, achei que deveria ser mais direto e tentar simplesmente perguntar a relação dela com Isao.
-Miki-san. Posso te falar rapidinho?
-Claro Miguel-kun.
Seguimos caminhando até as escadarias, a principio tentei enrolar, ir direto ao ponto não séria uma boa ideia. Mas depois de um tempo de conversa, quase no fim das escadarias, achei melhor perguntar logo.
-Miki-san, o que tenho para te perguntar é sobre Isao.
Quando eu pronunciei o nome dele, o rosto dela rapidamente corou, eu achei que foi uma sentença dos sentimentos dela por ele, mesmo assim eu podia estar errado.
-É apenas uma curiosidade... Porque você tem uma relação tão informal com o Isao?
Ela demorou alguns segundos para responder, mantendo o olhar para o chão, quanto mais o tempo passava, mais vermelho seu rosto ficava.
-Desculpa Miguel-kun, apenas nos conhecemos a algum tempo. - Sinceramente, pensei que ela iria explodir antes de responder aquela pergunta, mas ela logo me mostrou uma calma excepcional.
Tratamos logos de encerrar a conversa, ela seguiu para sua mesa, e eu, mais uma vez estava solitário no fundo daquela sala. "Isao não veio novamente" foi o que pensei, e estranhamente escutei de dois garotos que pareciam comentar sobre isso também. Quando um deles disse "É, ouvi dizer que ele não tem mais cara para entrar nesse colégio, ainda mais sabendo o risco de apanhar de novo..."
Por alguma razão meu corpo ferveu em raiva, então todos achavam que o Isao era um medroso? Ou será que ele é mesmo? Não conseguia me conter, precisava sair dali o mais rápido possível para encontra-lo.
-Oi Miguel-chan! - Naquele momento de tensão, uma voz suave, seguido de um leve beijo em minha bochecha chegou para tirar minha atenção. Era Tora-chan, confesso que estranhei aquele carinho todo, mas não podia simplesmente levar em vão aquilo.
-Ohayo Tora. Qual a razão desse afeto todo?
-Como assim? Não somos namorados?
Naquele momento, todos da sala nos encararam, e trataram de comentar com as pessoas ao lado, até mesmo Miki e Hideko pareceram surpreendidas. Eu precisava xingar muito aquela garota, e explicar o mal entendido, mas não sabia como fazer.
-Não fiquei sabendo disso Tora. De onde tirou isso? - Eu falei mais baixo para que só ela pudesse ouvir.
-Ora, não viu a carta que dei para Hideko te entregar? - Já havia me esquecido da carta, devia ter lido antes de chegar ao colégio, pois bem, agora eu sabia do que se tratava.
-Mas não quer dizer que você me entregou uma carta que já somos namorados...
-Então você não gosta de mim? - Os olhos dela se encheram de lágrimas, e todas as garotas pareciam me fuzilar com os olhos.
-Eu gosto de você sim Tora, só acho que você está sendo muito apressada... Acho melhor a gente ir com calma, me deixa ler sua carta, e fazer uma carta para você respondendo. O que acha?
Os olhos dela brilharam mais uma vez, e um lindo e gracioso sorriso ela demonstrou.
-Seria ótimo Miguel-chan, como antigamente, você é muito Kawaii!!! - Ela me deu um selinho, e saltitando voltou para seu lugar. Não esperava que ela fosse tão explosiva, mas se ela estava feliz, então tudo bem por enquanto.
A aula seguiu tranquila e muito tediosa, até que eu consegui prestar atenção, mas no meio de uma das aulas, eu olhei pela janela e pude ver Mayumi-chan em sua aula de Educação Física, era realmente graciosa, como eu já sabia. Mesmo sorrindo e estando muito séria com os esportes, por alguma razão eu só me lembrava daquele choro silencioso dela. De vez em quando ela olhava para o nada, e deixava transparecer aquela tristeza.
Eu estava decidido enfim, eu precisava resolver primeiramente as coisas com Isao, mas como ele não estava no colégio, achei melhor resolver o que estava mais próximo, e naquele momento o que me intrigava era a tristeza de Mayumi.
Quando menos esperava, as aulas passaram, e já estava na hora do Intervalo. Não conseguia mais me segurar, precisava saber onde era a sala da Mayumi, e pela primeira vez naquelas semanas, eu iria interagir com a Hideko em sala.
-Hideko-ni. Posso falar com você? - Todos os amigos dela me encararam, com uma certa cara de nojo, eu me senti extremamente irritado, queria socar cada um deles. Hideko apenas se levantou e veio falar comigo, mas ela realmente parecia incomodada com aquela situação. Tratei de ser logo, e perguntar o que precisava saber.
-Onde é a sala da Mayumi?
-No terceiro andar, sala 3A. - Não enrolei ali, apenas sai correndo em direção ao terceiro andar, e claro, sobre os olhares daqueles malditos amigos da Hideko que me encaravam.
Mais uma vez eu estava ali, no andar onde eu briguei com quase todos os caras de uma vez. Todos logo ficaram apostos, parecia que eu estrava travando uma guerra mental com aqueles malditos que me encaravam tanto.
Segui rápido para a sala, minha vida corria risco naquela situação. Quando entrei, Mayumi estava conversando com algumas amigas, por sinal bem belas.
-Mayumi-ne, preciso falar com você. - As amigas dela me olharam de baixo em cima, mas diferente dos amigos da Hideko, elas apenas sorrirem e comentaram entre elas, e logo saíram para que pudéssemos conversar.
-Diga Miguel-chan. Algum problema?
-Pra falar a verdade eu preferia conversar sobre isso lá no telhado, pode ser? - Ela apenas respondeu com a cabeça, e me seguiu até o telhado, confesso que sair dali vivo foi complicado, já era problemático sozinho, e aparecer junto de uma das garotas mais belas daquele andar, complicou mais ainda as coisas.
-Pode Falar, Miguel-chan.
-Eu estou preocupado com você Mayumi-ne, eu não gosto de te ver triste, daquela vez, eu achei melhor não comentar nada, mas agora que estamos mais calmos. Oque está acontecendo com você? - Eu tentei me impor de forma séria, acredite isso é bem difícil para mim, ela me fitou, mostrando aqueles lindos olhos esverdeados, que dava um toque ainda mais belo para aquele corpo japonês.
-É muito difícil explicar Miguel-ni. - Ela começou a caminhar, indo em direção a sacada próxima a grade. Ela ficou olhando para a cidade, sem pronunciar mais nada. Aquilo por um lado me irritou, e mais uma vez eu não consegui me controlar, sai correndo em direção a ela, e a puxei pelo braço para que me olhasse.
-Eu... - Naquele momento, eu pude ver seu rosto em pranto, ela estava muito vermelha e as lagrimas derramavam. Eu queria continuar, mas aquilo com certeza me tirava a atenção.
-Desculpa Miguel-chan, eu não consigo falar sobre isso, me perdoa. - Para mim já não interessava, eu iria ajudar ela não importasse como. Eu botei minha mão sob o queixo dela, levantando o para mim, e sequei as lágrimas com minha mão. Nos encaramos por um tempo, eu senti que queria muito beija-la, e quando menos percebi foi exatamente o que aconteceu.
Ficamos alguns minutos nos beijando, no calor do momento acabei extrapolando um pouco.
-Já chega Miguel-ni. Não devemos fazer isso... - Fui parado pela Mayumi-chan, e de fato ela tinha razão, aquilo apenas aconteceu pelo calor do momento, e eu havia entendido isso, e ela também.
-Desculpa Mayumi-ne, eu entendo, eu gosto muito de você como uma ótima amiga. E é por isso, que mesmo que você não consiga me contar nada, eu vou descobrir o que está acontecendo, e vou te ver sorrir por que você quer, e não porque precisa.
Ela se soltou de mim, e me deu um abraço bem forte. Eu entendi que ela sentia o mesmo, não precisou falar nada, e aquilo só confirmou o que eu queria. Ela se despediu de mim, e voltou para sua sala.
Eu estava voltando para a minha sala, quando eu pude ver pela janela, na entrada do colégio, Isao. Parado olhando o movimento dentro, nem estava com as roupas do colégio. Eu corri o mais rápido que pude, precisava conversar com ele, e resolver aquela situação.
Quando cheguei na entrada, ele me encarou, meio constrangido. Os hematomas já haviam sumido, mas eu
sabia que por dentro ele ainda estava quebrado.
-Não precisa dizer nada Isao... mas eu não pensei que você teria medo.
-É difícil explicar Miguel, é como se minha honra tivesse sido pisada. - Até mesmo a voz dele estava diferente, talvez porque era a primeira vez que o via sério.
-Não importa meu amigo, eu estou do seu lado, e se o problema é sua honra. Então agente vai resgatar ela de volta, de alguma forma.
-Eu sabia que não estava errado sobre você Miguel-san, você realmente é um bom amigo. - Ele sorriu e foi indo embora.
-Espera, vai embora assim? - Eu disse tentando chamar a atenção dele de novo.
-Não tenho nada para fazer aqui hoje, mas não se preocupa. Você com certeza me curou, eu sei que amanhã mesmo que eu sinta dor, eu sei que você vai estar do meu lado, então eu vou enfrentar isso. - Ele sorriu, e apenas acenou para mim.
Antes que ele partisse eu me lembrei de algo que havia de conversar.
-A sim, e depois de tudo isso. Eu preciso conversar uma outra coisa sobre você e uma pessoa. - Ele fez uma cara de quem não havia entendido nada, mas deixou assim mesmo, e foi embora.
Espero que eu consiga ajuda-lo de alguma forma, assim como preciso descobrir o que está acontecendo com a Mayumi-ne. Bem, eu apenas segui para a minha sala, precisava pensar. Então resolvi que iria sair sozinho pela cidade. Quem sabe eu não chega-se a alguma conclusão.
Em frente a uma loja de doces, eu pude ver um rosto conhecido, era Yuko que parecia esperar alguém. Antes que eu pudesse me aproximar, um homem de moto usando capacete, parou do lado dela, e ela subiu, e assim eles partiram. Acho que agora só preciso me dar bem com a Yuko e com a Yumi-chan. Quem sabe para um próximo dia.
Fui embora em direção a casa novamente.
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