Páginas

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Seção Syllabarum Libri - Cruz

Não escrevi nada na última sexta, mas cá estou eu hoje. Ainda não continuarei com minha estorinha (Whiteness, com capitulos 1 e 2), pois estou aguardando algo superior me fazer continuar. Então, vou tentar criar mais alguma coisa de um só post. Espero que gostem.

------

Cruz

Mais uma semana se passara, e Carlos já estava cansado de ficar em casa. Todo aquele trabalho que lotava sua mente estava deixando-o exausto de si mesmo, e precisava sair de seu estado mental. Ir para uma balada, um bar, ou qualquer lugar que ele pudesse esquecer tudo por uma noite. Então, convidado por seus amigos, decidiu ir a uma festa que acontecia a duas quadras de seu apartamento na república. No caminho, todos iam conversando sobre as garotas que iriam para a festa, inclusive as "mais fáceis".

- Então galera, quem vai pegar a Maria essa noite? - Disse Miguel, amigo de Carlos, que deu uma enorme gargalhada, e logo foi seguida por todos os outros. Maria era a garota mais famosa da faculdade, pois era aquele tipo de menina que qualquer um que "chegue", consegue lhe roubar um beijo, ou até algo a mais. Carlos era o único que ainda não tinha ficado com ela, sendo por isso atormentado o caminho inteiro pelos outros. Eles queriam que ele extravazasse sua raiva com uma boa noite de prazer, e quem melhor do que a mais experiente? Mas, ainda sim, o rapaz não era desse tipo; gostava de conhecer as mulheres, saber de seus gostos, pensamentos, medos, vontades... Enfim, conhecê-las. Mas, como estava muito extressado, e era apenas por uma noite, que mal havia?

Chegaram a tão aguardada festa, que por sinal já estava rolando. Na verdade, parecia estar no seu auge naquele momento, pois todos já estavam ficando bêbados. As garotas dançavam sensualmente em seus curtos vestidos, e os rapazes ficavam boquiabertos, apenas admirando e fazendo graça. Os amigos de Carlos o apontaram Maria, e logo o deixaram sozinho. Ele se aproximou da garota que, como sempre, estava bêbada e então sentou-se do seu lado no sofá. Um certo silêncio se sucedeu por um longo tempo. Ele não tinha coragem de chegar nela, por mais que todos insistissem. Mas uma coragem encheu seu peito, e resolveu puxar assunto com ela.

- Oi Maria, lembra de mim? Nos conhecemos na lanchonete outro dia. Sou o carlos. -

- Oi Carlos! - Sua voz já estava mais molenga, seus olhos pequenos e suas bochechas avermelhadas. - Tudo bem com você, gatinho? - O braço da moça já se entrelaçou no pescoço do rapaz, que, com vergonha, deu uma pequena afastada. Ele, de fato, não conseguia tratar uma mulher daquele jeito. Então, com uma coragem que não lhe pertencia, a agarrou pelo braço e levou para o lado de fora da casa, onde não havia mais ninguém.

- O que está acontecendo? - Perguntou Maria.

- Olha, por favor me explique uma coisa. Por que você é assim? Por que permite te tratarem desse jeito, apenas como um objeto? Você é uma mulher! Merece mais do que isso! - Carlos olhava diretamente nos olhos da garota, que logo mudou para uma feição séria. Ela tomou mais um gole de sua bebida, e então retrucou.

- Olha, Carlos. Houve um tempo que eu não era assim, sabia? Mas, como a grande maioria das garotas que agem como eu, fui enganada. Eu era exatamente do jeito que você falou; me dava valor, não ficava com qualquer um, e era extremamente apaixonada. Porém, um de vocês pisou tanto em mim, mas tanto, que eu resolvi mudar. Não queria mais ser aquela garota que não notavam, e que sofreu bastante com a solidão. Agora sou em quem pisa nos outros. Sou eu quem manda na minha vida, e faço apenas o que eu quero. Os outros pensam coisas erradas de mim? Que seja. A vida é minha, não deles. Não me importo. Não vou te contar exatamente o que aconteceu, porque levaria muito tempo e eu quero me divertir. Mas, apenas pense sobre isso: Ninguém sabe qual é a cruz que a outra pessoa carrega, por isso não julgue meus atos. Talvez um dia você entenda. Até lá, vou apenas viver. - Ela jogou o copo por cima do muro e então voltou para a festa. Carlos ficou ali, apenas pensando. Ele fora tocado por aquelas palavras, e toda sua imagem por aquela mulher mudou; Qual será a cruz que a pessoa que você julga carrega?

Nenhum comentário:

Postar um comentário