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domingo, 16 de dezembro de 2012

Relembrando Parte 2

Ae galerinha!!!! Hoje a gente vai ter mais um texto falando sobre uma das maiores verdades do nosso país! Boa semana e abraço a todos!


Escondidos em seus sapatos

Entrelaçados em suas mochilas. Cobertos de violência eles tentam se esconder atrás de morros, armados, onde seu próprio destino é ter morte precoce. Muros pichados, cultura chula para pessoas ignorantes. É bem fácil ver por cima, dizer o que não se sabe. A fome predomina, a vida não é fácil. E a vida começa cedo, tudo começa cedo. Crescer ao som de tiros, dormir ao som de choros. Ver que a única certeza da vida é passar mais um dia vivo, é ter o hoje, é viver sem saber do amanhã. É crescer ao redor de dificuldades, é seguir o caminho mais próximo. Não é o mais fácil, mas é o único para aqueles que nunca tiveram oportunidades, aqueles que nunca puderam saber o que é viver bem, o que é ter. E pelo pouco que eles podem ter já agradecem e pedem para Deus que mais um dia de suas vidas não seja como o sufoco que já passaram.

E assim as histórias tristes nascem. As histórias dos morros, as histórias das violências, as histórias do Rio… as histórias que caracterizam o Brasil. E assim também surgem aqueles que escondem algo… em seus bolsos, sapatos, mochilas. E junto com tudo isso surge o preconceito, surge o conceito do pobre, do desigual, do bom, do marginal, do ladrão. Surge o medo; medo de sair de casa, medo de chegar, medo de viver e de se enfeitar. E assim caminhamos em um ciclo sujo de desconfianças, de miséria de sentimentos humanos. E agora digo a vocês o quão inútil somos em passar perto de um morador de rua e não fazer nada. Falamos mal do ladrão mas quase nunca ajudamos alguém quando este alguém nos pede um trocado para comer algo. Entramos em nosso próprio ciclo quando escolhemos ser os melhores. Sacrificamos o que mais temos de sagrado para depois sermos roubados e como no começo, acabamos sem nada. Vazios de intuições e sentimentos. Já não temos mais nem o passado solidário para se gabar.

E assim prosseguimos, sem enxergar de perto a vida de um sofredor, a vida daqueles que estão inseridos no que há de pior e nós julgamos. Fazemos errado novamente e continuamos assim. Reclamamos daquilo que era nosso e não é mais, mas não fazemos nada pra mudar a vida das pessoas que vivem assim. Enquanto construímos nossos castelos e deixamos eles com fome, com inveja, nós traçamos nosso próprio destino. Cheio de marginais e daqueles que irão fazer parte desde ciclo. E crianças neste meio nascem e experiências são passadas, de maioral para os pequenos. E no fim só nos resta os ricos e aqueles em um caminho torto, onde o destino são: joelhos dobrados no chão pedindo perdão.

Karen Martins

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