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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Conversa de bar

Como vocês devem ter reparado - ou não - o blog está muito parado. Isso é o resultado de três vagabundos que não estudam, sendo que um já saiu da escola e foi trabalhar, e os outros dois estão de recuperação. Há também uma nova garota, que está bem sem ideias ultimamente. Então, o que fazer? Cá estou eu novamente tentando postar algo, para ter algo novo pelo menos por semana. Essa situação mudará logo, eu espero...

Mas enfim, vamos lá. Hoje resolvi tentar escrever um conto, por não ter algum outro assunto relevante no momento.

"Conversa de bar



E mais uma vez João estava no balcão daquele bar, com um cigarro em uma das mãos e o seu uísque preferido na outra. Seus cabelos completamente bagunçados, devido ao constante contato com suas mãos, e seus olhos cansados, mostravam que aquele fora outro dia difícil. Cada gole descia queimando por sua garganta, dando a ligeira impressão de queimar todos os problemas de sua cabeça. Mas, depois de poucos segundos, voltavam ainda mais fortes, explodindo como um tiro que passava lenta e dolorosamente por seu cérebro, e que parecia nunca terminar de atravessar. Isso pedia mais um gole...
Olhando para o lado, viu um homem quase tão acabado quanto ele, exceto pela barba; o homem parecia não ter tempo de fazê-la, e João era obrigado por seu trabalho. Afinal, ter uma boa aparência é essencial quando se trabalha fechado em um escritório, não é mesmo?
O homem o olhou de volta, e então deu um leve sorriso.

- Dias difíceis, não? - Uma risada leve e irônica se sucedeu, seguida pela mesma cara triste.

- Nem me fale. - Respondeu, com o mesmo tom.

- Por que está tão triste? - O homem mostrou um certo interesse, e como João não queria falar disso com alguém conhecido, por que não um desconhecido, que sumiria algumas horas depois?

- Bem, é difícil dizer... - Deu mais um gole em sua bebida, fazendo uma pequena careta. - Estou tão cansado de tudo. O mundo me deu um emprego ruim, minha mulher briga comigo todos os dias e sem motivos. Meu casamento parece não ter mais solução... - Deu uma forte tragada no cigarro, e segurou a fumaça como se sua vida dependesse disso. Depois de alguns segundos, a liberou. - Meus filhos não gostam de mim, e nem sei se os conheço direito... Enfim, dias difíceis. - Terminou.

O homem escutou serenamente e então tomou um gole do seu rum velho. Deu um leve sorriso e fixou seus olhos em João.

- Sabe, rapaz... O seu problema é que você pensa que o mundo gira em torno de você mesmo. Ao ouvir seu discurso, percebi que você colocou a culpa das brigas em sua mulher, a culpa de seu relacionamento com seu filho nele e, principalmente, de seu emprego no mundo. Você é mesmo um coitado fracassado, mas por sua própria culpa. - A princípio, João ficou extremamente irritado pela fala do homem, mas resolveu ficar quieto e apenas escutar. Afinal, ele não queria ter outro problema.

- Mas você se parecesse muito comigo antigamente. Eu também colocava a culpa de tudo que acontecia comigo nos outros, e não percebi que o culpado era eu mesmo. - A raiva de João começou a se tornar curiosidade nesse momento, o que o fez prestar mais atenção. - Eu tinha o mesmo emprego ruim que você, a mesma esposa que brigava e uma filha que me tratava como um desconhecido. Certo dia, eu briguei com minha mulher e sai de casa para afogar minhas mágoas no bar. E então, eu me arrependi amargamente de tudo que eu fiz. - O homem deu uma leve pausa, certamente começando a se comover. - Quando voltei para casa, a vida me mostrou a pior coisa do mundo. Minha mulher e minha filha estavam mortas... Minha casa pegara fogo. - João sentiu um aperto no coração, imaginando que isso poderia acontecer com ele. - Sabe o que é, de um dia para o outro, não possuir mais família? Eu não posso visitar os seus corpos, pois foram completamente carbonizados. Sem casa e sem família, fui obrigado a me mudar para um hotel. Contudo, o emprego que eu tanto odiava acabou me odiando também, e eu fui demitido. Agora vivo de esmola que os outros me dão, tudo porque não quis mudar a minha situação enquanto eu podia. Todo o dinheiro que eu ganho, gasto com bebida para não ter que passar fome ou frio. Quer uma dica? Volte para sua casa, peça desculpas a sua esposa e a ame. Ame como se o amanhã não existisse! Diga todo dia o que sente por ela, e não meça esforços para agradá-la. Você pode perdê-la da noite para o dia. - Uma lágrima escorreu por seu rosto, mas continuou mesmo assim. - Mude a situação com seu filho; pergunte como foi o seu dia, se ele precisa de ajuda, ou apenas chame-o para assistir um filme ou ir ao parque. Não deixe que ele cresça sem te conhecer. E, por ultimo, se não gosta da sua situação, a culpa é sua. Você escolheu isso. Se você tem capacidade, mude-a. Eu já não tenho mais motivos, mas você ainda tem tudo. Tudo que eu gostaria de ter agora. Tudo o que eu perdi... -

Neste momento, foi como se um choque tivesse acertado a cabeça de João, e ele não pode fazer nada a não ser deixar uma lágrima percorrer por seu rosto.

- Obrigado... - Sussurou, baixo o suficiente para somente ele escutar. Pegou a chave de seu carro e correu para sua casa, decidido que iria mudar completamente sua vida, antes que fosse forçado a isso.

Às vezes, as pessoas acham que seus problemas nunca tem solução, quando na verdade elas próprias são tudo o que precisam. Não dê valor as coisas erradas, e não deixe para descobrir quais eram as certas quando já se foram.
Não espere ser tarde demais para mudar sua vida."

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