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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Seção Syllabarum Libri - Whiteness

Bem pessoal, conversando com o Nicário - vulgo Pirabira - tivemos mais uma ideia aqui para o blog. Talvez vocês não saibam, mas nós tínhamos um segundo blog, chamado Syllabarum Libri, onde escrevíamos estórias próprias, postando um capitulo diferente a cada dia. E, como não tivemos tempo, tive a ideia de fazer uma fusão (calma, não como a do Dragon Ball *badum tss*). Então, agora toda sexta feira terá a seção Syllabarum Libri, onde postaremos estórias sobre o que nossa cabeça quiser! Podem ser de apenas um capítulo, ou vários; próprias ou as famosas fan fics, usando algum anime ou desenho como base, filme e etc.

Mas agora dando uma explicaçãozinha... O que raios é esse nome? Bem, ele está escrito em latim, e significa "sílabas de um livro". Por que? Porque são elas que formam as palavras, que formam as frases e assim os textos. E também tivemos a ideia do nome porque vai ser isso que ocorrerá; Várias sílabas soltas pela página, formando por si só a estória que entrará em suas mentes. Espero que gostem! E para começar, eu resolvi tentar algo diferente. Eu nunca tinha escrito um romance antes, e nem em primeira pessoa. Mas resolvi tentar, só para dar uma estreada nessa nova seção. Mas calma, isso não quer dizer necessariamente que os fatos aconteceram comigo! xD Então sem mais delongas, vamos a mais nova estória!

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Whiteness - Capítulo 1


A luz fraca de começo de dia adentrava pela pequena falha da janela de madeira velha, já desgastada pelo tempo. Aos poucos, ia me despertando do sono pesado, e me espreguiçando calmamente, até finalmente abrir os olhos. Olhei no relógio, e ainda era de manhã, e infelizmente teria que levantar. Era fevereiro, e as aulas iriam retornar. Eu finalmente chegara no ensino médio, depois de repetir uma ou duas vezes. E, para piorar, era em um colégio novo e famoso da região onde eu morava que, apesar de ser particular, tinha fama de ser pior do que uma escola pública. Não em questão de ensino, mas sim das pessoas serem "piores". Era infestada de ricos que se achavam no direito de reclamar da vida, sem nunca terem sofrido, tendo sempre tudo nas mãos. E eles queriam mostrar o quão maus eram, e atormentavam os calouros... Talvez eu vá ter problemas.
Mas essa fama não chegava aos pais, ela simplesmente rodava de boca em boca pelos adolescentes do bairro. Poderia ser apenas mais uma lenda, ou não, para mim não importava. Tudo o que eu queria era chegar lá e sair o mais rápido possível, e não ter que aguentar ninguém. Mas, por ser aluno novo, e se realmente for como falam, eu não vou conseguir fazer isso. Droga, pra que mesmo eu tenho que ir para essa escola? Nada de bom pode acontecer em uma prisão como essa, ainda mais com alguém como eu...

Envolto em meus pensamentos, meu coração disparou de susto quando um estrondo veio da porta do meu quarto, seguido com o famoso berro de minha mãe: "Vai perder a aula!". Esfreguei o rosto e parti para o banheiro, onde me preparei para o dia. Apesar do frio matinal que fazia em Londres, tomei coragem e fui tomar banho, pelo menos para o primeiro dia. Eu me importo muito com a aparência, apesar de tudo. Gosto de escolher roupas e acessórios, principalmente colares. E as vezes reparo em como as pessoas se vestem, pois isso pode dar pequenos detalhes de como é sua personalidade e seus gostos. Claro que há exceções, mas a grande maioria quer passar a sua imagem através das roupas, sendo elas bonitas ou não.
Coloquei, como na maioria das vezes, uma camisa social e um colete preto fechado por cima. Em seguida, uma calça jeans mais larga nas coxas, porém conforme vai descendo, fica um pouco mais justa, até chegar ao calcanhar, onde logo abaixo, nos pés, estava um tênis básico, sem cadarços. Apenas passei a mão em meus cabelos negros, que chegavam até a altura dos ombros. Não dava para arumá-los muito, por isso nem insisti. Abri alguns botões da camisa, de modo que mostrava levemente a camiseta de baixo, e claro, meus dois colares inseparáveis; Um, com a corrente maior, era um crucifixo pequeno, apesar de eu não ser muito religioso. E o segundo era uma palheta de baixo, instrumento que eu toco e sonho em ter uma banda. Também me arrisco no violão e piano, mas sou, modéstia parte, especialista no baixo. Mas é claro que eu deveria ser, já que tenho com inspiração grandes baixista do mundo do rock, como Paul McCartney e John Entwistle. Nunca gostei da minha voz, mas também gostaria de cantar alguma vez.

Quando finalmente terminei de me arrumar, parti para pegar o ônibus. No ponto, esperando por ele, coloquei os fones de ouvido e me desliguei do mundo, ao som das palhetadas de John no The Who. O começo de "Baba O'riley" começou a me inspirar, e deixei escapar um leve sorriso, enquanto estava de olhos fechados. Minha mão ia instantaneamente se mexendo conforme o ritmo da música, e me imaginava em um enorme palco, tocando essa mesma música ao lado do The Who. Talvez esse fosse um dos meus maiores sonhos; conhecer meus ídolos e, por que não, tocar algo com eles? É um pouco difícil, mas nada é impossível se você acreditar. E isso era algo que eu acreditava fielmente: nos meus sonhos. Afinal, todos temos que ter algo para acreditar, certo?
Contudo, fui voltando ao mundo, pois precisava ir para a escola, e as pessoas já me olhavam estranho. Subi no ônibus e fui o caminho inteiro ao som dessa mesma música, que ficou no repetir. Precisava de algo para me encorajar a aguentar o primeiro dia, certo?

Desci no ponto mais próximo da escola e fui caminhando até ela. No caminho, percebi uma movimentação estranha em um dos becos, e conforme fui me aproximando, pude escutar alguém pedindo desesperadamente socorro. Corri para chegar mais perto, e me deparei com três garotos puxando a cueca de um quarto, bem franzino. Eles olharam para mim, e o do meio, um garoto baixo porém troncudo, esboçou um sorriso malicioso. Meu coração disparou, e eu senti que estava encrencado. Retirei os fones e coloquei-os no bolso, enquanto escutava a voz do loiro.

- Tá olhando o que? Quer um puxão também? - Ele gargalhou em seguida, e veio em minha direção. Como um instinto, dei um passo para o lado, deixando o soco que ele projetara a poucos segundos passar direto. Ao mesmo tempo, vi o segundo garoto, um rapaz de touca preta, grande e magro, vindo na minha direção com um chute, que não tive tempo de reagir. Ele acertou em cheio minhas costelas, e caí no chão urrando de dor. Os três se juntaram a minha volta, e se preparam para desferir diversos golpes, quando ouviram o barulho de uma sirene, e saíram correndo. Levantei ainda com dor e agarrei o óculos do garoto que estava no chão, e entreguei a ele. Era um menino baixo e franzino, com os famosos óculos fundo de garrafa, próprio para nerds. Em sua mão estava uma espécie de livro sobre rpg de mesa, que reconheci por jogar a uns anos atrás. Ele limpou as lágrimas e me agradeceu sinceramente, como se esperasse por aquilo há anos.

- Não se preocupe, não foi nada. Esse livro aí na sua mão é do Dragon's Rage? Eu jogava antigamente, mas parei por falta de tempo. Meu nome é Logan, prazer. - E estendi a mão, em busca de um cumprimento. Fui respondido instantaneamente, e o garoto parecia estar muito feliz.

- Eu sou o Brian, e muito obrigado mesmo. Mas acho que agora eles irão te atormentar também... - Sua voz se tornou um pouco decepcionada no final, e então resolvi intervir, para que ele não ficasse triste.

- Não importa, eu sei me defender. Então, que tal irmos logo? Acho que vamos chegar atrasados. -

- Certo, vamos. - E assim fomos até a entrada do colégio, onde com certeza eu iria ter algumas histórias para contar, mas não tão boas assim.

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