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"Whiteness - Capítulo 2
Ao entrar no colégio, senti o ar pesado. Estranhamente, um suor frio começou a percorrer pelo meu corpo, partindo da nuca até a espinha, me fazendo ter um calafrio momentâneo. Vi que as pessoas me olhavam; parte por ser um aluno novo, e outra por estar andando com o garoto nerd que ninguém gostava. Mas o que mais me chamava atenção, era que mesmo não tendo nenhum amigo, ele nunca deixava de sorrir. Isso foi algo que me cativou, e me fez querer ser o seu primeiro amigo. Eu não sabia quanto tempo ele estudava ali, mas sabia que era uma boa pessoa. Ele não parava de falar, por vezes até alto demais, sobre seus jogos favoritos, e como se orgulhava de ser um dos top rank's de um online que ele jogava, mas eu não escutei direito. Ainda me sentia estranho por todos me olharem e depois tamparem a boca, fazendo algum comentário, provavelmente maldoso. Mas continuei caminhando, e por vezes sorrindo para o menino franzino.
O colégio era grande, como esperado de um dos mais famosos da região. As paredes eram impecavelmente brancas, sem uma sujeita sequer. Os armários reluziam conforme o sol batia, refletindo a imagem dos estudantes que passavam. Tinham muitas pessoas, e uma diversidade muito grande. Olhando atentamente, era possível separá-los pelas suas tribos; Tinham os jogadores do time e as líderes de torcida, que são no topo da "cadeia alimentar". Abaixo deles, vinham os amigos, e a ordem que se segue é irrelevante, pois parece não existir. Quem não era daquele grupo, era considerado insignificante. E eu fiquei ainda mais tenso quando percebi que os valentões que confrontei minutos atrás eram amigos dos jogadores. E, para piorar, ainda tinha que passar por eles para chegar a minha sala. Este foi um dos únicos momentos que vi o Brian quieto, e com um certo medo. Eu coloquei a mão sobre seu ombro, e tentei passar um sorriso confortante, tentando dizer para ele não ter medo. Levantamos a cabeça e fomos na direção dele, e pude ouvir uma risada maldosa.
- Olha só, quem diria... Você vai ter que passar pelo meu armário todos os dias? Que destino irônico, não? - Ele riu depois, puxando Brian pelo cabelo, que soltou algumas lágrimas pelo rosto. - Eu ainda não terminei com você, seu lixo! - Nesse momento, meus instintos tomaram conta do meu corpo, e mais uma vez não pensei direito. Minha mão foi automaticamente para o rosto do valentão loiro, desferindo um potente soco. Ele cambaleou para trás, e levou a mão rapidamente para o nariz, que se encontrava ensanguentado. Seu olhar me focou com uma raiva tremenda, e quando olhei em volta e vi cinco brutamontes a minha volta, percebi a tamanha besteira que eu tinha feito. Os alunos começaram a formar um circulo em nossa volta, esperando para ver mais briga. Respirei fundo e me preparei, mas, ainda bem, fomos interrompidos pelo diretor, que vinha no fim do corredor. Todos correram para suas salas, mas sem antes me ameaçarem. Levantei Brian do chão, e o ajudei a pegar seus livros, enquanto íamos para a sala.
Ao chegarmos, dei uma breve olhada em todos, e foi aí que meu coração parou... No fundo, estava o que eu poderia descrever como "visão de um anjo". Eu nunca fui muito religioso, mas aquela era a prova de que Deus existia, pois um homem não seria capaz de criar tal perfeição. Ela tinha a pele branca como a neve, que só caía na minha estação favorita do ano. Seus cabelos eram vermelhos-alaranjados, e extremamente fino, tanto que se bagunçavam graciosamente a cada vez que o vento batia. Seu corpo era magro, com curvas na medida certa. Ela estava extremamente concentrada na leitura que fazia, mas não consegui identificar qual era. Parecia que o mundo tinha parado, e toda a minha coragem nunca existira; Eu devo ter ficado muito tempo apenas admirando-a, e minha imaginação fazendo seu papel de me confortar, enquanto eu não tinha coragem de confrontá-la. Tentei voltar para a realidade, e então me dirigi ao fundo da sala, na carteira do lado dela. Brian, apesar de ser o típico nerd, também me acompanhou, e se sentou na minha frente. Eu tentei disfarçar, mas não conseguia. Sua beleza era estrondante e hipnotizante, e por alguns minutos esqueci completamente dos problemas que eu enfrentaria na saída. Ela me passava uma inocência incomum hoje em dia, e chegava até a me dar esperança de um mundo melhor. Era como se ela não se importasse com o que os outros falavam, e apenas se concentrava em fazer o que gosta, pois sem isso, a vida não tem graça. Mas, quando ela me olhou de volta, senti uma enorme vergonha, e logo tentei disfarçar, olhando para o outro lado. Só que ela percebeu, e deu uma leve e gostosa risada, achando graça da situação. E então, fui completamente cortado de meus sonhos ao ouvir a voz de Brian, fazendo uma piadinha da situação, do tipo "huuuuuummmmm". Dei uma leve risada, e um tapinha em sua cabeça. Era como se eu fosse amigo dele há muito tempo.
Não consegui prestar atenção em nenhuma aula, até o final do período escolar. Por ser o primeiro dia, não tiveram muitas coisas, e alguns professores até faltaram. Mas, todas aquelas horas que fiquei olhando-a, parecia que foram apenas alguns segundos, e eu precisava de mais. Ela ia para a casa dela a pé, e eu a segui calmamente, tentando não deixar ela perceber. Talvez todas aquelas horas vendo filme de ninjas serviram para alguma coisa... ou não. Mas o importante era saber onde ela morava, e para minha surpresa não era longe da minha casa. Me senti extremamente feliz e abestalhado, olhando de trás de uma árvore ela entrar em sua casa. Um enorme sorriso tomou conta do meu rosto, e fui cantarolando para casa. Porém, quando cheguei na porta, percebi que tinha esquecido alguma coisa, e me dei conta da burrada que fiz."
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